MPF chegou a pedir prisão preventiva do governador do Rio de Janeiro

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, fala à imprensa após reunião com o presidente da República, Jair Bolsonaro, no Palácio do Planalto.

Pedido foi rejeitado no STJ, que determinou afastamento de Witzel

VIA Agência Brasil

O Ministério Público Federal chegou a pedir a prisão do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC) na Operação Tris in Idem, deflagrada hoje (28), mas o pedido foi rejeitado pelo ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça. Apesar disso, o magistrado acolheu o afastamento do governador por 180 dias.

Em pronunciamento à imprensa na manhã de hoje (28), o procurador da República Eduardo El Hage afirmou que o afastamento foi “muito importante para desarticular o grupo que está no poder”, que classificou como uma organização criminosa sofisticada.

“Face aos fatos gravíssimos com que nós nos deparamos, não havia outra medida, se não a que foi adotada hoje”, disse o procurador, que lembrou que dois governadores anteriores a Witzel, Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, foram presos sob acusação por crimes de corrupção.  “Esse terceiro governador praticar atos de corrupção e de lavagem é algo inadmissível, e, em razão disso, o Ministério Público Federal chegou a requerer sua prisão preventiva. O ministro Benedito Gonçalves entendeu que não seria o caso e determinou seu afastamento”.

El Hage e representantes da Polícia Federal e da Receita Federal se pronunciaram pouco depois de o governador ter declarado à imprensa que era alvo de perseguição política. Witzel nega os crimes e afirma que vai recorrer contra o afastamento quando tiver acesso às provas que fundamentam a decisão.

O procurador da República negou que a operação deflagrada hoje tenha motivações políticas e afirmou que o trabalho reuniu uma quantidade de provas muito extensa contra o governador, a partir de colaboração premiada, buscas na sede do governo e quebra de sigilos telefônico e bancário dos investigados.

A operação realizada hoje cumpre 17 mandados de prisão, sendo 11 de prisão temporária e seis de prisão preventiva. Entre os alvos de prisão temporária está o Pastor Everaldo, presidente do Partido Social Cristão, ao qual o governador do Rio de Janeiro também é filiado. Em nota, o partido afirma que confia na Justiça e no amplo direito de defesa de todos os cidadãos. “O Pastor Everaldo sempre esteve à disposição de todas as autoridades, assim como o governador Wilson Witzel”, diz o texto, que informa que o ex-senador e ex-deputado Marcondes Gadelha, vice-presidente nacional do PSC, assume provisoriamente a presidência da legenda.

Também foram cumpridos 82 mandados de busca e apreensão, incluindo ações em seis estados do Sudeste e Nordeste, além do exterior. Os policiais federais e procuradores investigam um esquema que envolve crimes contra a administração pública e lavagem de dinheiro. Delegados e procuradores explicaram que a operação de hoje é desdobramento das operações Favorito e Placebo, sendo essa última a respeito de desvios na área de saúde, envolvendo contratos como o da construção dos hospitais de campanha e de compra de respiradores. 

El Hage lembrou que na operação Favorito foi possível identificar que o empresário Mario Peixoto atuava com uma rede de laranjas em organizações sociais, que eram utilizadas como forma de pagamento de propina para políticos envolvidos em atos de corrupção. Na operação, narra o procurador, foram encontrados indícios da participação da primeira-dama, Helena Witzel, cujo escritório de advocacia teria recebido pagamentos de Mario Peixoto por serviços inexistentes. Peixoto, por sua vez, teria sido favorecido em contratos do governo do estado.

Os fatos foram aprofundados em buscas e apreensões da operação Placebo, quando os investigadores foram a endereços ligados ao governador, como a sede do governo. “Isso não tem nenhum viés políticos como tenta desviar o governador Wilson Witzel. Foram encontrados, inclusive, e-mails que ele enviou com contratos entre o escritório da primeira-dama e pessoas que são citadas por um colaborador que surgiu após a operação Placebo”, disse o procurador. “A peça está muito robusta e muito bem substanciada”.  

Segundo o procurador, as investigações apontam que o escritório de advocacia da primeira-dama teria recebido pagamentos de três empresas com laranjas de Mário Peixoto. El Hage disse que os investigadores se surpreenderam com semelhanças entre o esquema investigado e aquele que levou à condenação de Sérgio Cabral. O procurador citou a utilização de um escritório de advocacia para lavagem de recursos, o uso de empresas transportadoras de valores e a existência de doleiros no Uruguai como fatos em comum.

“Na operação de hoje nos vimos num túnel do tempo, revendo velhos fatos que já tínhamos investigados, mas agora com outros personagens”.

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