Dados da vacina de Oxford contra Covid-19 podem ser enviados neste ano a agências reguladoras, diz cientista

Imagem de Pete Linforth por Pixabay

Anúncio foi feito por Andrew Pollard, diretor do Grupo de Vacinas de Oxford. Imunização está sendo testada no Brasil.

Por Alistair Smout e Sarah Young, Reuters

Os dados dos testes com a potencial vacina contra a Covid-19 da Universidade de Oxford e da AstraZeneca podem ser enviados a órgãos reguladores ainda neste ano, anunciou o cientista Andrew Pollard, diretor do Grupo de Vacinas de Oxford, à Rádio BBC nesta terça-feira (25).

“É simplesmente possível que, se os casos se acumularem rapidamente nos ensaios clínicos, nós possamos entregar os dados para os [agentes] reguladores neste ano”, disse Pollard. “Então, eles passariam por um processo para fazer uma avaliação completa dos dados”.

A vacina de Oxford está em testes de fase 3, a última, em vários países, inclusive no Brasil, e conseguiu induzir resposta imune nos testes em humanos. Segundo Pollard, os testes da imunização envolveram 50 mil pessoas: 20 mil no Reino Unido, Brasil e África do Sul e 30 mil nos Estados Unidos, onde os ensaios são liderados pela AstraZeneca.

A farmacêutica, que desenvolve a vacina em parceria com Oxford, firmou um acordo de repasse de tecnologia com a Fiocruz, que vai produzir a imunização em solo brasileiro. Segundo a fundação, é possível que a produção já comece em dezembro.

Pollard disse que a AstraZeneca levará os dados para os reguladores assim que os cientistas estiverem satisfeitos com eles.

“O tamanho dos estudos não é a questão, o que é necessário ter são casos suficientes se acumulando durante o tempo de observação dos testes”, explicou.
Ele alertou, entretanto, que não é possível buscar atalhos para acelerar a aprovação para uso emergencial.

Na segunda-feira (24), o jornal americano “Financial Times” afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está considerando acelerar o processo de disponibilização da vacina para ela ser usada no país antes da eleição presidencial, em 3 de novembro.

Uma opção que estaria sendo analisada seria a concessão, pela Food and Drug Administration (FDA) –agência reguladora de medicamentos dos EUA – de uma “autorização para uso emergencial” em outubro para a potencial vacina, disse o jornal.

Pollard disse que o processo para a concessão de autorização para uso emergencial é bem estabelecido. “Mas ele ainda envolve ter dados cuidadosamente conduzidos… e evidências de que realmente funciona”, disse.

O Financial Times disse que o governo dos EUA considera basear a aprovação emergencial da vacina em um estudo feito com cerca de 10 mil pessoas no Reino Unido.

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